terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Joaquim Felício

Joaquim Felício me pareceu uma cidade linda e triste.
Linda com suas montanhas e cachoeira!

Triste com seu projeto lindo de reforma da estação abandonado pelo poder público... (corrupção? jogo político? falta de demanda da população?), triste com o trem parado (o que nasceu para estar em movimento não deve ficar estacionado) e triste com a notícia de que a estação abandonada no meio da reforma é ponto de uso e venda de crack...



Muita pedra de minério e muita pedra de crack os males do interior de Minas são

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Trecho Bocaiúva - Joaquim Felício

Eu não queria sair de Bocaiúva tão cedo.
Mas era preciso seguir.

Na estação de Engenheiro Navarro, embora houvesse homens trabalhando, o ambiente não era acolhedor. Era árido.

Pela primeira vez pudemos ver o que foi feito de alguns vagões do trem azul (dizem que a maior parte foi cortada no maçarico) que nesse caso viraram alojamento. Transformar é sempre melhor que abandonar (na minha opinião) mas nesse caso imagino que não deve ser um ambiente muito agradável para a morada:



O que foi feito para seguir não deve ficar estacionado!
Devo reconhecer que não gostei muito de Engenheiro Navarro.

Já Engenheiro Dolabella, eu adorei!
Lugar perfeito pra escrever um romance!

Na estação, o que mais marcou foi a força da NATUREZA que retoma, com PACIÊNCIA, o que é seu:



Que coisa mais linda!
E eis que encontro uma placa de Santa Matilde, que me lembra dos amigos do LESMA e comprova, mais uma vez, que, verdadeiramente, tudo começou com o Psiu Poético!


Para Bueno do Prado, foi uma estrada longa dentro de uma propriedade privada, o que nos deixou a todos um pouco apreensivos. Lá, apesar de ainda encontrarmos a linha de trem, o ambiente não era de uma estação. E, uma vez, mais, a NATUREZA:



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Da Grande Boca para Bocaiuva



em montes claros, descobrimos que algumas estações não são estações. são “pés de estribo”. e os “pés de estribo” foram os primeiros a darem linha depois que o trem parou. a parada de antônio olinto, então, logo teve de deixar o nosso cronograma, não havia mais como alcançar aquela memória.

seguimos.

glaucilândia.
impressão de que a velha estação tinha sido ocupada. se sim, as gentes estavam fazendo bom uso: na horta plantada o mamão já crescia.

ao longe, o som de uma água... e fomos ver, tinha rio, gente e uma ponte de atravessar carro. não entramos nem atravessamos, seguimos.


pires 
era cidade conhecida de festas e gentes. tinha sido muito movimentada na época do trem de passageiros, eu tinha dado fé disso nas conversas em montes claros ... e por isso mesmo pesou-me a ausência. 

pra mim aquele vazio tinha explicações: o sol de rachar, a calma e o sono do depois do almoço, a respiração presa de curiosidade e o isolamento. 

a verdade é que quando o trem foi embora, o ônibus que chegou era caro demais... 
muitcho do sem graça. 
o povo saiu mais dali não, 
foi envelhecendo.


a estação foi arrancada pelas pessoas que repararam no seu desuso.  
afinal, 
esse trem volta? 
será?


camilo 
ainda tinha estação, mas não vi vida.
vontade de pintar tudo de urucum. 
anunciaram uma reforma, mas temi aquelas janelas muradas e a tal da modernização. seria reforma ou desmanche? pra virar shopping, estacionamento ou igreja?


em bocaiuva confirmamos o fato, seria biblioteca. bom lugar prum rolezinho!!
e comecei a perceber que as cidades tem alma e gênero. umas mais generosas que outras. 

saímos da grande boca e entramos em bocaiuva. ali as coisas tinham funcionamento muito simples: pra chegar em algum lugar, no centro por exemplo, era logo ali, e quando chegasse lá, era lá mesmo. esse era o raciocínio lógico da veia científica de bocaiuva (desde que jose maria alkmin em pessoa encomendou um eclipse prali, constatou-se o fato).

antes de visitar o centro cultural que tinha sido reformado e virado museu, cheio de artefatos e fatos da ferrovia, procuramos um lugar arejado e com vista pra enorme lua... redondiiinha mesmo. saiu melhor que encomenda! quem pode imaginar um lugar sem muros, portanto sem portas e sem janelas?! pausa(s) para o diretor! a céu aberto, também curtiam os montes de cães, dormindo nos bancos das praças, enquanto que as pessoas se espremiam para não incomodar aquele sono abençoado! 


na manhã seguinte, antes ainda do bate boca com papo, ops bate papo com boca, demos um pulinho em 

navarro. 
na estação em funcionamento, contou-nos dona vanderleia que são uns três trens de trinta vagões que a fca passa ali por dia. se é difícil falar esse trava línguas, pra nós também foi difícil contabilizar o carregamento.


de dona vanderleia, colhemos histórias de trem: pai ferroviário, tinham se mudado pra sumpaulo. com a morte desse, retornaram pra navarro... de trem! todo mês ela ia em montes claros cu'a vó, buscar o salário... de trem. depois que o trem cabô, foi mais não que era muito caro. e montes claros ficou longe....

50km de volta.


a reforma da estação de bocaiuva respondeu a pergunta que carregamos desde o primeiro dia de ensaio: 

o que pode ser feito com 6 bilhões de reais? 
(valor aproximado do que deixou de ser arrecadado pelo governo brasileiro com a isenção do ipi do automóvel no ano de 2013) 
RESP: se o irmão carro compartilhasse com o irmão trem, poderíamos ter 10 mil de estações ferroviárias reformadas. o brasil tem 10 mil de estações?


o papo de boca foi papo de modernidade. maria fumaça é trem de turismo, pra ser trem de transporte a máquina tem que chegar minimamente a 180 km/h.
trilho tem, 
ipi também.
também tem gente querendo vender locomotiva e gente querendo viajar... 
quem quer comprar? quanto vale? quantas, vale?