quinta-feira, 6 de março de 2014

25-11-13 Barão de Cocais

13h15
Ônibus Pássaro Verde na Rodoviária de Belo Horizonte. 
15h30 Chegada em Barão de Cocais. 
Padaria e cafezinho (moído na hora, que a Júnia comprou, mas nem sabia que nunca o tomaria). 

Poucas praças, vários idealizadores, muito tempo esperando o trem. 
Pouco ou nada a se ver na estação, muita coisa pra subentender. 

16h30 
(a estação saiu do centro da cidade/ a cidade foi seguindo a estação sem ligar pro peso dos vagões trincando as paredes). 
Pegamos um táxi com S. Geraldo José. Discurso de globalização: 

Trilhos de madeira / Madeireira acabando com terra indígena > trilhos de ferro = + resistência. 
> Vigia = na hora do trem chegar 
< Vigia =  na hora do trem partir. 
Esse trem = um serviço = um trabalho prestado =  a Gerdal faz trabalho de educação = pinta muro de escola + a Vale tem circo = trabalho social.
1 minuto parado = fatorial prejuízo. 
O trem de passageiros = + seguro = + rápido, mas atrasa quando cruza com trem de carga +++++. 
Nas férias, o trem leva quase 5000 pessoas = 2x + vagões. De 14, passam a ser 28. 

Nada na estação, só água gelada. Nem dormir o sujeito pode, porque fecha
A trilha


Não pense que Jesus 
não ouviu sua oração. 
Não desanime irmão,
do céu já vem salvação. 

sábado, 1 de março de 2014

Trecho Joaquim Felício - Corinto


               <Curumataí < para D. Pedro II - BUENÓPOLIS - para o interior > joaquim felício >


elenco cansado mas feliz

augusto de lima. a linha quase encoberta.

a estação abandonada numa bela planície.

parentes?

Marísia. A antiga plataforma tomada pela vegetação, testemunhada pelos bravos viajantes!!!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Joaquim Felício

Joaquim Felício me pareceu uma cidade linda e triste.
Linda com suas montanhas e cachoeira!

Triste com seu projeto lindo de reforma da estação abandonado pelo poder público... (corrupção? jogo político? falta de demanda da população?), triste com o trem parado (o que nasceu para estar em movimento não deve ficar estacionado) e triste com a notícia de que a estação abandonada no meio da reforma é ponto de uso e venda de crack...



Muita pedra de minério e muita pedra de crack os males do interior de Minas são

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Trecho Bocaiúva - Joaquim Felício

Eu não queria sair de Bocaiúva tão cedo.
Mas era preciso seguir.

Na estação de Engenheiro Navarro, embora houvesse homens trabalhando, o ambiente não era acolhedor. Era árido.

Pela primeira vez pudemos ver o que foi feito de alguns vagões do trem azul (dizem que a maior parte foi cortada no maçarico) que nesse caso viraram alojamento. Transformar é sempre melhor que abandonar (na minha opinião) mas nesse caso imagino que não deve ser um ambiente muito agradável para a morada:



O que foi feito para seguir não deve ficar estacionado!
Devo reconhecer que não gostei muito de Engenheiro Navarro.

Já Engenheiro Dolabella, eu adorei!
Lugar perfeito pra escrever um romance!

Na estação, o que mais marcou foi a força da NATUREZA que retoma, com PACIÊNCIA, o que é seu:



Que coisa mais linda!
E eis que encontro uma placa de Santa Matilde, que me lembra dos amigos do LESMA e comprova, mais uma vez, que, verdadeiramente, tudo começou com o Psiu Poético!


Para Bueno do Prado, foi uma estrada longa dentro de uma propriedade privada, o que nos deixou a todos um pouco apreensivos. Lá, apesar de ainda encontrarmos a linha de trem, o ambiente não era de uma estação. E, uma vez, mais, a NATUREZA:



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Da Grande Boca para Bocaiuva



em montes claros, descobrimos que algumas estações não são estações. são “pés de estribo”. e os “pés de estribo” foram os primeiros a darem linha depois que o trem parou. a parada de antônio olinto, então, logo teve de deixar o nosso cronograma, não havia mais como alcançar aquela memória.

seguimos.

glaucilândia.
impressão de que a velha estação tinha sido ocupada. se sim, as gentes estavam fazendo bom uso: na horta plantada o mamão já crescia.

ao longe, o som de uma água... e fomos ver, tinha rio, gente e uma ponte de atravessar carro. não entramos nem atravessamos, seguimos.


pires 
era cidade conhecida de festas e gentes. tinha sido muito movimentada na época do trem de passageiros, eu tinha dado fé disso nas conversas em montes claros ... e por isso mesmo pesou-me a ausência. 

pra mim aquele vazio tinha explicações: o sol de rachar, a calma e o sono do depois do almoço, a respiração presa de curiosidade e o isolamento. 

a verdade é que quando o trem foi embora, o ônibus que chegou era caro demais... 
muitcho do sem graça. 
o povo saiu mais dali não, 
foi envelhecendo.


a estação foi arrancada pelas pessoas que repararam no seu desuso.  
afinal, 
esse trem volta? 
será?


camilo 
ainda tinha estação, mas não vi vida.
vontade de pintar tudo de urucum. 
anunciaram uma reforma, mas temi aquelas janelas muradas e a tal da modernização. seria reforma ou desmanche? pra virar shopping, estacionamento ou igreja?


em bocaiuva confirmamos o fato, seria biblioteca. bom lugar prum rolezinho!!
e comecei a perceber que as cidades tem alma e gênero. umas mais generosas que outras. 

saímos da grande boca e entramos em bocaiuva. ali as coisas tinham funcionamento muito simples: pra chegar em algum lugar, no centro por exemplo, era logo ali, e quando chegasse lá, era lá mesmo. esse era o raciocínio lógico da veia científica de bocaiuva (desde que jose maria alkmin em pessoa encomendou um eclipse prali, constatou-se o fato).

antes de visitar o centro cultural que tinha sido reformado e virado museu, cheio de artefatos e fatos da ferrovia, procuramos um lugar arejado e com vista pra enorme lua... redondiiinha mesmo. saiu melhor que encomenda! quem pode imaginar um lugar sem muros, portanto sem portas e sem janelas?! pausa(s) para o diretor! a céu aberto, também curtiam os montes de cães, dormindo nos bancos das praças, enquanto que as pessoas se espremiam para não incomodar aquele sono abençoado! 


na manhã seguinte, antes ainda do bate boca com papo, ops bate papo com boca, demos um pulinho em 

navarro. 
na estação em funcionamento, contou-nos dona vanderleia que são uns três trens de trinta vagões que a fca passa ali por dia. se é difícil falar esse trava línguas, pra nós também foi difícil contabilizar o carregamento.


de dona vanderleia, colhemos histórias de trem: pai ferroviário, tinham se mudado pra sumpaulo. com a morte desse, retornaram pra navarro... de trem! todo mês ela ia em montes claros cu'a vó, buscar o salário... de trem. depois que o trem cabô, foi mais não que era muito caro. e montes claros ficou longe....

50km de volta.


a reforma da estação de bocaiuva respondeu a pergunta que carregamos desde o primeiro dia de ensaio: 

o que pode ser feito com 6 bilhões de reais? 
(valor aproximado do que deixou de ser arrecadado pelo governo brasileiro com a isenção do ipi do automóvel no ano de 2013) 
RESP: se o irmão carro compartilhasse com o irmão trem, poderíamos ter 10 mil de estações ferroviárias reformadas. o brasil tem 10 mil de estações?


o papo de boca foi papo de modernidade. maria fumaça é trem de turismo, pra ser trem de transporte a máquina tem que chegar minimamente a 180 km/h.
trilho tem, 
ipi também.
também tem gente querendo vender locomotiva e gente querendo viajar... 
quem quer comprar? quanto vale? quantas, vale?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Monte Claros, marco zero


- ISSO É CHEIRO DE GAMBÁ! QUANDO ALGUÉM ATROPELA UM GAMBÁ, CHEIRA QUILÔMETROS. ALÍ Ó, ALÍ É ONDE TEM OS JARATATACAS.


a viagem para montes claros foi em linha reta.

saímos de bh numa manhã de segunda e chegamos lá debaixo de um sol de fim de tarde que mais parecia sol de meio dia. o prelúdio da história anunciando o clima da viagem. estávamos no norte de minas!

“essa estrada
leva e traz dor e alegria
na primeira caminhada
na primeira companhia
vim do sertão
lá do meio da chapada
tanto tempo tanta estrada
tanta curva perigosa
é muito fácil
todo passarinho voa
toda mata eu sei que é boa
quando não tem alçapão
tem nada não
caminho é por onde se passa
e m
ês que vem
eu vou de trem pra montes claros”

Grupo Raízes, De Trem Pra Montes Claros
- “PRA MEXER COM TREM, TEM QUE TER UMA PACIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA.”

ali no centro cultural de montes claros, nossa primeira manhã de visita, nossa quase única referência, saboreamos o sertão mineiro. essa hospitalidade, moço, tem igual não. e com muita generosidade, mais que isso, irmandade de artista, aroldo pereira nos ajudou a desenhar o que seria nossa estadia em montes claros... e o tom da conversa: acentuada!

começamos a compreender o que era o trem pr’aquela gente. e o que foi a parada do trem. foi um ato fernando real. equivaleu ao golpe collor, moço. as pessoas se acabaram. foi uma tragédia social.

assim descobri o primeiro (sobre)nome do trem:

TREM SOLIDÁRIO.

“Cheira, macaxeira senhora, Batata doce na hora, Quer tapioca senhor? Quentinha agora”
Arruar, Banda de Pau e Corda
e de mesmo sobrenome, vislumbrei sua família:
o economia solidária
o comunidade
o diversidade
o troca
o cultura
o (será que eu chegaria na PERMAcultura, que é cultura permanente...? ainda não, pois como sabemos, DO JEITO QUE ERA o trem não permaneceu... haveria de retornar? como haveria de ser o trem pra voltar e ficar?)

ESSA SE TORNOU MINHA PERGUNTA,
MEU RECORTE, MEU FOCO.

cheguei no TREM SOCIAL

e foi aí que embarcou meu primeiro personagem. sua fala mais importante:

O TREM NÃO É DA FCA, É CONCESSÃO
... mas isso pouca gente sabe.

um andarilho.
com o olho pregado na linha, esse sujeito andou de montes claros à monte azul, parou em cada estação, conversou com cada gente, se inteirou de cada situação, regou e plantou sementes de trem. pra ele era o seguinte: trem de passageiros nos trilhos. nós também ou ninguém.

e com muito respeito, engrossamos o coro:

ai ai ai,
num mexe cumigo não
sem trem de passageiro
carga aqui num passa não

depois vimos escrito em cartazes, filme da última viagem:

ninguém é mais do que ninguém
queremos nosso trem
(com fé em deus)

o trem não pode parar
o pobre precisa viajar

(com fé em deus)

fim da estrada
esse dia terrível ficará na história de monte azul

em setembro o trem chegou. em setembro partiu. moço, isso aqui se impregnou num desencanto.

“a minha rede
ainda tem seu cheiro
minha moringa
ainda tem seu gosto
amanhã já é janeiro
pra quem partiu em agosto
lua nova cheia de alegria
brilhava nos seus olhos
naquele dia
eu não sabia sabiá
que era o olhar
de quem partia
você foi levando as águas
faz é tempo que ch
oveu
não sei quem mais chora as mágoas
se é a terra ou se sou eu”
Minha rede, Roque ferreira
MAQUINISTA NÃO ERA SÓ CONDUTOR. ERA TUDO.

fomos ter, então, com o segundo personagem do meu trem.

começou na rede como categoria de base. terminou como maquinista. nunca deixou o sindicato. trabalhou ali 24 anos, 7 meses e 12 dias. fez a última viagem do TREM AZUL, depois pediu desligamento. era tanto “pelo amor de deus, moço, num caba cum trem naum...” e aquilo ia machucando... porque o ferroviário, el’apega com as coisa.

esse aqui esteve em bh puxando faixa, queria dizer que NÓS éramos contra aquele modelo de privatização.
-nós quem ô capiau? é deputado, por acaso?
-ô pião, você é FERROVIÁRIO?
(...claro que não... quem não é ferroviário não leva NÓS no coração... leva SÓS, solidão.)

esse era o FAMIGERADO TREM BAIANO.

SOMOS FERROVIAS, PORTOS E TERMINAIS. SOMOS TODOS. SOMOS UM. SOMOS A VL!

entendi. essa privatização só aconteceu porque o governo era vagabundo. em país de primeiro mundo, a concorrência do trem é com companhia de avião. governo mancomunado com construtora, com empresa de ônibus, com o diabo. Ê FERNANDO HENRIQUE DO CAPETA!

e rachamos o pequi. depois do beleza, fomos embora dali...


“Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu
coração”
Saga da Amazônia, Vital Farias
(http://www.youtube.com/watch?v=HnX4VFz4EOs)

domingo, 26 de janeiro de 2014

Revisitar Corinto depois de tantos anos foi uma experiencia única. É como entrar no túnel do tempo. Tudo igual a 40 anos atrás. A praça da fonte, as casas baixas (corinto ainda não tem nenhum prédio residencial), o comercio pequeno, o Hotel Sônia o grupo escolar, a igreja na praça, a estação ferroviária, a rua do footing, a Padaria Globo onde comprei tantas balas a 2 por 1 centavo... A única coisa que mudou foi a casa em que eu morei. Construiram um muro alto na frente impedindo a visão de dentro. Talvez pra me proteger da visão de um passado feliz.

Ai, ai, ai
não mexe comigo não
eu vim foi a passeio,
não foi de morada não