nossa pesquisa em Montes Claros começa com uma pergunta: quais seriam os personagens de um espetáculo sobre a história dos transportes no Brasil?
o centro da cidade, lotado, confuso, cheio de prédios e motos, contrasta com o Mercado Municipal, que parece estar em outro tempo, com suas farinhas, temperos, queijos e remédios naturais.
na Casa de Cultura nos sentimos em casa de velhos amigos, e assim iniciamos amizades e trocas culturais. descobrimos que somos, sim, amigos dos amigos de uma grande família mineira chamada psiu poético.
aprendemos a cantar "vou de trem pra montes claros". só que não, não podemos mais.
aprendemos que o trem baiano é diferente do trem do sertão. fomos atrás do trem do sertão, mas a ausência do trem baiano se faz presente todo o tempo e ofusca a pseudocapital. Monte Azul é belo horizonte de chegada mais cobiçado que a serra do curral. bússola apontada para o norte.
e vemos as imagens do trem azul. e o sol na cabeça.
o mês é setembro. manifestações populares legítimas pelo direito ao transporte são aproveitadas como palanque eleitoral. na década de 90. qualquer semelhança é mera coincidência?
e, aos poucos, nossos personagens vão surgindo... na obstinação de um militante, no orgulho de um trabalhador, num garçom com olhos de sono, nas putas que comparecem a eventos da sociedade, nos malucos do trem azul, nos fazedores de cultura, na receptividade mineira que conhecemos mas que assume aqui sotaque baiano irresistível, em um telegrafista que não era somente, mas ainda é o que é...
saímos carregando números de telefones, indicações para o restante da viagem, rapadura, biscoito, remédio pra sinusite, imagens, sons, histórias...
e deixamos lá a promessa de voltar com um espetáculo!
Muito linda, Júnia, sua sensibilidade para captar Montes Claros!
ResponderExcluirTô doida pra cumprir essa promessa!
Lindo o Blog... maravilhosa as fotos... emocionante as histórias e o texto.
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